Somos um país de oito ou oitenta. E pior que isso: passámos de um estado ao outro enquanto o diabo esfrega um olho. Para reforçar esta constatação, provavelmente preconceituosa, recorro a mais um recente exemplo: os Jogos Olímpicos de Pequim. Com um orçamento de 14 milhões de euros, Portugal levou à China 77 atletas e objectivos de alcançar 4 /5 medalhas e 60 pontos. Conseguiu duas e alcançou 28 pontos. A meio dos jogos, quando ainda não tinha conquistado medalha nenhuma, o Presidente do Comité Olímpico, Vicente de Moura, anunciou que não se candidataria a mais nenhum mandato, como forma de protesto contra a desmotivante participação lusa. Entretanto, Vanessa Fernandes conquistou a prata no triatlo e três dias depois Nelson Évora voou 17,67m, no triplo salto, descobrindo o ouro. Da enorme desilusão passou-se, de imediato, à euforia. Vicente de Moura, num despudorado golpe de rins, recua na intenção de se afastar do COI e começa logo a pedir ao governo reforço financeiro para a próxima ...