Segunda-feira, 27 de Junho de 2011

Uma parte de mim morreu há dez anos

"(...) quando perdemos alguém que nos conhece bem perdemos uma versão de nós próprios. Nós próprios, tal como éramos vistos e julgados. Amante ou inimigo, mãe ou amigo, aqueles que nos conhecem constroem-nos e os seus conhecimentos talham as diferentes facetas dos nossos caracteres como se fossem ferramentas para lapidar diamantes. Cada uma destas perdas é um passo mais para a sepultura, onde são engolidas todas as nossas versões."

Esta passagem do livro "O chão que ela pisa", de Salman Rushdie, faz-me sempre lembrar o meu pai. Morreu faz este mês dez anos. Há uma versão de mim que desapareceu com a morte dele. E era uma versão francamente admirável.
Hoje precisava, mais do que nunca, que ele tivesse continuado a ser o que sempre foi para mim. Eu precisava que ele continuasse a ser.

2 comentários:

Anónimo disse...

Há de facto perdas insubstituiveis nas nossas vida. Contudo, lembre-se das amizades que entretanto ganhou é tão fácil gostar de si, pela sua forma de ser de estar, tenho a certeza que a admiração que muitos temos por si o ajudam a minorar uma perda tão grande.
Um beijo

Victor M. Pinto disse...

É bom saber que há novas versões que vão nascendo... Obrigado.