Massagem
São tuas as mãos que desvendam a orografia do meu corpo. Imagino-as na languidez do meu descanso disfarçado de sono. Sobem, coordenadas, as montanhas suaves e moldam-se dolentemente à vista dos ombros. Desenham-me. Escalam o pescoço para se embrenharem na floresta dos cabelos abandonados. Sabes-me de cor e fazes questão de mostrar que conheces bem os sítios mais recônditos e secretos. Revolves as raízes dos músculos e alisas a crosta com o arado dos teus dedos. A minha pele transforma-se em terra lisa. Ora planas como um condor perscrutando a paisagem; ora afundas o calor das tuas mãos na minha carne fremente. Tens gestos de feiticeiro e eu corpo possuído de mulher carente. Despes-me agora o cálice de pano que simula protecção à última fracção de intimidade. A nudez do meu corpo recebe a avidez suave das tuas mãos. Desfruto da ondulante lavoura fingindo torpor. Dás atenção aos meus pés esquecidos; ao lado de trás dos meus joelhos; às e...